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O parto consiste numa série de contracções uterinas rítmicas e progressivas que gradualmente fazem descer o feto pelo colo uterino (a parte inferior do útero) e pela vagina (canal do parto) para o exterior.

As contracções provocam a dilatação do colo uterino, que se torna mais fino até que desaparece (apaga-se) e quase que chega a confundir-se com o resto do útero. Estas alterações permitem que o feto passe pelo canal do parto.

Etapas do parto
Primeira etapa
Desde o começo do parto até à abertura completa (dilatação) do colo uterino (cerca de 10 cm).
Fase inicial (latente)
  • As contracções tornam-se cada vez mais fortes e ritmadas.
  • O mal-estar é mínimo.
  • O colo uterino contrai-se e dilata-se cerca de 4 cm.
  • Esta etapa dura em média 8,5 horas numa primeira gravidez e 5 horas nas gravidezes seguintes.
Fase activa
  • O colo uterino dilata-se entre 4 cm e 10 cm, aproximadamente.
  • A parte com que o bebé se apresenta, que costuma ser a cabeça, desce pela pélvis da mãe.
  • A mãe começa a sentir necessidade de fazer força, enquanto o bebé desce.
  • Esta fase dura cerca de 5 horas numa primeira gravidez e 2 horas nas gravidezes seguintes.
Segunda etapa

Desde a completa abertura do colo uterino até ao parto. Esta etapa dura em média cerca de 60 minutos numa primeira gravidez e entre 15 e 30 minutos nas gravidezes seguintes.

Terceira etapa

Desde o nascimento do bebé até à expulsão da placenta. Só costuma durar alguns minutos.

Tradicionalmente, o trabalho de parto divide-se em três etapas; no entanto, as 4 horas imediatamente posteriores à expulsão da placenta, quando o risco de hemorragia é maior, são geralmente denominadas quarta etapa do trabalho de parto.

O parto costuma começar dentro das duas semanas (antes ou depois) da data prevista para o parto. Ainda se desconhece o que é que, exactamente, desencadeia o parto, mas talvez seja a oxitocina, uma hormona libertada pela hipófise, que faz com o útero se contraia durante o parto. O parto não costuma durar mais de 12 a 14 horas na primeira gravidez de uma mulher e tem tendência para ser mais breve,entre 6 e 8 horas em média, nas gravidezes seguintes.

O rolhão mucoso (uma pequena quantidade de sangue misturado com mucosidade do colo uterino) é o sinal que indica que o parto está prestes a começar. No entanto, este rolhão pode ser expulso pela vagina até 72 horas antes do início das contracções. Em certos casos, as membranas cheias de líquido (bolsa) que contêm o feto rompem-se antes de o parto começar, e o referido líquido (líquido amniótico) sai pelo colo uterino e pela vagina (processo conhecido como a rotura da bolsa de águas). Quando estas membranas se rompem, a gestante deverá, de imediato, pôr-se em contacto com o seu médico ou com a parteira. Em cerca de 80 % a 90 % das mulheres cujas membranas se tenham rompido, o parto começa nas 24 horas seguintes. Se ao fim deste tempo o parto não tiver começado, é necessário dar entrada no hospital, onde se provoca (se induz) o parto para reduzir o risco de infecção provocado pelas bactérias da vagina que entram no útero. As infecções podem afectar a mãe ou o feto. Para provocar o parto utiliza-se oxitocina ou outro fármaco semelhante. Se o recém-nascido for prematuro, é preferível fazer um exame exaustivo à grávida antes de se provocar o parto e não se faz nenhum exame ginecológico antes de o parto estar planificado. 

Quando uma mulher em pleno parto (com fortes contracções, de 5 em 5 minutos ou menos, e uma dilatação de mais de 4 cm do colo uterino) dá entrada no hospital, são confirmados o seu peso, a tensão arterial, a frequência cardíaca e respiratória e a temperatura e recolhem-se amostras de urina e de sangue para serem analisadas. O exame do abdómen inclui a previsão do tamanho fetal, a sua posição (se está virado para a frente ou para trás) e a sua apresentação, ou seja, se o que está à frente e vai sair primeiro é a cabeça, as nádegas ou os ombros. O médico ou outro profissional ausculta a frequência cardíaca fetal com um fonendoscópio. São observadas a intensidade, a duração e a frequência das contracções. Geralmente, examina-se a vagina para confirmar se as membranas se romperam e se o colo uterino está muito dilatado e apagado, mas este exame pode ser dispensado se a mulher tiver algumas hemorragias ou se as membranas se tiverem rompido de forma espontânea. A coloração esverdeada que o líquido amniótico pode apresentar, uma vez rompidas as membranas, deve-se à primeira defecação do feto (mecónio fetal) e pode indicar sofrimento fetal Geralmente, o feto só expele mecónio antes do parto quando sofre ou quando a sua apresentação é com os glúteos para a frente (apresentação de nádegas).

A posição e a apresentação do feto determinarão como este vai passar pela vagina A apresentação de cabeça (cefálica), que é a mais frequente, é a melhor para um parto seguro. Durante a última ou as duas últimas semanas antes do parto, a maioria dos fetos dão a volta para que a cabeça se apresente primeiro. A apresentação de nádegas (podálica) faz com que o parto seja mais complicado, tanto para a mãe como para o feto e para o médico. Ao atrasar o aparecimento da cabeça do feto, a apresentação de nádegas aumenta a probabilidade de sofrimento fetal. Como a cabeça é maior que as nádegas, é mais difícil colocar a cabeça no espaço que as nádegas tenham deixado no canal do parto do que quando sucede o contrário e, por isso, é mais provável que a cabeça fique encravada. A apresentação de ombros (transversal) também dificulta a passagem do feto desde o útero. Contudo, se a posição do feto for de cabeça e virado para trás (para as costas da mãe) em vez de virado para a frente, o parto é, em geral, mais simples.

Durante o parto, costumam ser administrados soros por via endovenosa para evitar a desidratação. A cateterização endovenosa também permite administrar fármacos de forma imediata. A administração de soros por via endovenosa permite que a mulher não coma nem beba durante o parto, pelo que tem menos probabilidades de vomitar e de aspirar o seu vómito durante o parto. A aspiração do vómito pode provocar a síndroma de Mendelson, uma doença potencialmente mortal em que os pulmões se inflamam. Geralmente, a mulher recebe um antiácido para neutralizar a acidez gástrica no momento de dar entrada no hospital e, depois, de 3 em 3 horas. Os antiácidos reduzem o risco de lesões nos pulmões se a mulher aspirar o vómito.

Durante a primeira etapa do parto, costuma ser recomendado à mãe que não faça força, porque fazê-lo antes de o colo uterino estar aberto por completo é um desperdício de energias e, além disso, pode rasgá-lo. De 15 em 15 minutos, aproximadamente, controla-se o ritmo cardíaco da mãe e do feto. O controlo da frequência cardíaca do feto, que se faz com um fonendoscópio fetal (fetoscópio) ou mediante monitorização cardíaca, é a forma mais simples de determinar se existe sofrimento fetal. Se a frequência cardíaca se acelerar ou diminuir em demasia, o médico pode praticar uma cesariana, utilizar fórceps ou tomar outras medidas correctivas, como colocar a mãe sobre o seu lado esquerdo, aumentar a quantidade de líquidos intravenosos ou administrar oxigénio mediante um tubo colocado no nariz.

Monitorização fetal

Durante a segunda etapa do parto a mãe, que é constantemente vigiada, faz força em cada contracção para deslocar o feto pela vagina. A frequência cardíaca fetal é controlada depois de cada contracção ou de 3 em 3 minutos, ou até menosse for preciso.

Alívio da dor

Com o devido acompanhamento médico, a mulher dispõe da informação necessária acerca dos aspectos gerais das técnicas de alívio da dor muito antes do início do parto. Pode escolher o parto natural, que se baseia no relaxamento e em certas técnicas de respiração para enfrentar a dor ou pode decidir usar analgésicos ou um determinado tipo de anestesia, se for necessário. Uma vez começado o parto, estes planos podem ser alterados, conforme o mesmo decorra, como a mulher se sinta e o médico ou a parteira recomendem.

A necessidade de a mulher aliviar a dor durante o parto varia muito e, até certo ponto, depende do seu nível de ansiedade. A preparação para o parto, bem como o apoio emocional de quem a assistir, têm tendência para acalmar a ansiedade e costumam reduzir a necessidade de administrar fármacos para aliviar a dor. De qualquer forma, muitas mulheres não tomam nenhum medicamento.

Se uma mulher pedir analgésicos durante o parto, geralmente atende-se o seu pedido, mas na menor quantidade possível, porque estes fármacos podem atrasar a respiração e outras funções do feto antes de nascer. O parto é um momento crítico para o feto, pois enquanto o recém-nascido se adapta rapidamente à passagem de uma vida de total dependência da mãe para uma vida independente, ocorrem muitas alterações internas. Um recém-nascido sedado com analgésicos pode ter mais dificuldades para se adaptar à nova situação. Geralmente, para aliviar a dor aplica-se meperidina ou morfina por via endovenosa. Como estes fármacos podem atrasar a fase inicial do parto, normalmente são dados durante a fase activa. Além disso, como fazem mais efeito nos primeiros 30 minutos após a sua aplicação, não são utilizados quando o parto está iminente. Para contrariar os efeitos sedativos destes fármacos sobre o recém-nascido, pode ser administrada naltrexona imediatamente após o parto.

Se à medida que o parto se aproxima for necessário um alívio da dor mais intenso, pode-se dar uma injecção de anestésico local na entrada da vagina. Isso adormece por completo a zona dorida, mas permite que a mulher continue desperta e não se atrasem as funções fetais. Os métodos de anestesia para estes casos são o bloqueio do nervo pudendo ou a anestesia. O bloqueio do pudendo, um processo muito utilizado, consiste em injectar um anestésico local através da parede da vagina para anestesiar o nervo pudendo, com o que se consegue anestesiar toda a área vaginal, excepto a parte frontal da vulva (órgãos genitais externos). É muito útil nos partos sem complicações em que a mãe deseja fazer força.

No caso de a mãe não querer fazer força e pedir que aliviem ainda mais a sua dor, pode ser utilizada anestesia regional. Na maioria dos casos, injecta-se um anestésico local no espaço que rodeia a espinal medula (espaço epidural) na parte inferior das costas. Este procedimento denomina-se injecção lombar epidural. Alternativamente, são administrados analgésicos opiáceos, como fentanil, ou sufentanil mediante perfusão contínua no espaço epidural. Estes procedimentos são muito utilizados, mas podem aumentar a probabilidade de ser necessária uma cesariana, porque a anestesia pode impedir que a mulher seja capaz de fazer força de forma adequada. A anestesia espinhal, mediante a qual se injecta um anestésico no canal central da espinal medula, é válida tanto para uma cesariana como para um parto vaginal, mas é pouco utilizada porque pode provocar uma cefaleia ligeira ou, por vezes, grave depois do parto. Quando se utiliza para um parto vaginal, a anestesia espinhal é aplicada quando o parto está iminente, pois este tipo de anestesia evita que a mulher faça força. Como a anestesia local pode provocar uma perigosa descida da tensão arterial, devem ser feitos controlos frequentes da mesma na mulher.

A anestesia geral, que provoca uma ausência passageira da consciência, não é utilizada, a menos que seja impossível evitá-la, devido ao facto de atrasar o funcionamento do coração, dos pulmões e do cérebro tanto do feto como da mãe. Pode-se empregar para cesarianas de urgência, porque é o modo mais rápido de anestesiar a mãe.

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