| Doenças que podem complicar a gravidez - Cardiopatias |
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As doenças que afectam o coração ou os rins, as anemias, as infecções e a diabetes podem provocar complicações durante a gravidez, tanto para a mulher como para o feto. CardiopatiasNos países desenvolvidos, as doenças do coração são cada vez menos frequentes nas mulheres em idade fértil, principalmente devido a uma marcada descida dos casos de febre reumática, uma doença de que se sofre na infância e que lesa o coração Cercade 1 % das mulheres que têm uma doença cardíaca grave antes de ficarem grávidas morrem em consequência da gravidez, geralmente devido a uma insuficiência cardíaca.
No entanto, graças ao aperfeiçoamento dos processos de diagnóstico e dos tratamentos, a maioria das mulheres com doenças cardíacas podem dar à luz normalmente e os recém-nascidos são saudáveis. Nestas mulheres, o facto de ter um filho não tem de afectar permanentemente a função cardíaca ou reduzir a sua esperança de vida. As alterações normais que são provocadas na circulação sanguínea durante a gravidez representam um esforço adicional para o coração pelo que uma mulher que está grávida ou que considera a possibilidade de engravidar deverá comunicar ao seu médico se tem ou teve alguma vez uma doença do coração. A gravidez complica ainda mais o diagnóstico de uma doença cardíaca, porque o volume de sangue aumenta e provoca sopros (sons provocados pela repentina e turbulenta passagem do sangue pelo coração) que podem sugerir uma perturbação cardíaca, mesmo quando não exista nenhuma. Além disso, as veias dilatam-se, aumenta a frequência cardíaca e o coração tem um aspecto diferente nas radiografias. Insuficiência cardíaca A insuficiência cardíaca é a incapacidade de o coração bombear a quantidade de sangue necessária ao organismo. À medida que a gravidez avança, uma mulher com insuficiência cardíaca sente-se cada vez mais cansada, mesmo que descanse o suficiente, evite o stress, ingira alimentos nutritivos e suplementos de ferro para evitar a anemia e controle o seu peso. Os momentos especialmente preocupantes, em que as exigências do coração são maiores, verificam-se entre as 28.ª e 34.ª semanas de gravidez, durante o parto e imediatamente após o mesmo. A doença cardíaca da mãe pode afectar o feto; de facto, o feto pode morrer durante um episódio de insuficiência cardíaca da mãe, ou então pode nascer antes do tempo (prematuramente). O trabalho durante o parto e a maior quantidade de sangue que volta ao coração procedente do útero quando ele se contrai aumentam em grande medida o esforço que o coração tem de fazer. Durante cada contracção uterina, o coração bombeia cerca de 20 % mais sangue. Uma mulher que tenha uma grave insuficiência cardíaca pode receber anestesia epidural para dessensibilizar a parte inferior da espinal medula e evitar assim que faça esforços durante o parto. Os esforços de expulsão interrompem transitoriamente a absorção de oxigénio pelos pulmões da mãe e, consequentemente, reduzem o fornecimento de oxigénio ao feto. O recém-nascido nasce por meio de fórceps ou por cesariana. O nascimento por fórceps implica um risco menor para a mãe do que uma cesariana, apesar de existirem maiores probabilidades de lesão no recém-nascido. Quando se verificam, estas lesões normalmente são pouco importantes. Depois do parto, produzem-se grandes variações na função cardíaca da mãe, como resultado de uma nova alteração nas necessidades. Uma mulher que tenha tido insuficiência cardíaca não se encontra fora de perigo, pelo menos até 6 meses depois. Doença reumática do coração A doença reumática do coração é uma complicação frequente da febre reumática em que uma ou mais válvulas cardíacas se estreitam, sobretudo a válvula mitral (estenose mitral). Os problemas provocados por um estreitamento das válvulas do coração pioram durante a gravidez. Durante esta, a válvula estreitada tem de suportar a pressão de um aumento da frequência cardíaca, o aumento do volume de sangue e a sobrecarga a que o coração está sujeito. Como resultado, uma determinada quantidade de líquido pode ser retido nos pulmões e provocar um edema pulmonar (que é a complicação mais perigosa da estenose mitral). Qualquer mulher com uma grave cardiopatia reumática deverá submeter-se a uma intervenção cirúrgica para reparar a válvula mitral antes de engravidar. Caso seja necessário, esta cirurgia pode ser feita durante a gravidez, mas as intervenções de coração aberto aumentam o risco de perder o feto ou de dar à luz prematuramente. Durante a gravidez, a mulher deverá limitar a sua actividade física e evitar a fadiga e a ansiedade. O melhor momento para o parto é a data prevista para o nascimento ou poucos dias antes. Devido ao facto de as válvulas danificadas pela doença reumática serem mais susceptíveis às infecções, administram-se antibióticos como medida preventiva durante o parto, 8 horas depois de qualquer situação que aumente o risco de infecção, como uma intervenção dentária ou a rotura prematura das membranas que rodeiam o feto. Estas infecções são muito graves. Cardiopatias congénitas A maioria das mulheres com defeitos congénitos do coração (cardiopatias congénitas) mas que não tenha tido sintomas antes da gravidez não corre maior risco de complicações durante a mesma. No entanto, as mulheres que têm certas perturbações que afectam o lado direito do coração e os pulmões, como a síndroma de Eisenmenger e a hipertensão pulmonar primária, correm o risco de sofrer um colapso e morrer durante o parto ou pouco depois deste. A causa da morte é pouco clara, mas o risco é suficientemente importante para desaconselhar a gravidez. Se uma mulher com algum destes problemas engravida, o parto deve ser feito nas melhores condições possíveis e com a equipa completa de reanimação preparada. Podem ser administrados antibióticos para evitar a infecção das válvulas cardíacas anormais. O aborto espontâneo ou induzido depois da 20.ª semana de gravidez também resulta perigoso para estas mulheres. Prolapso da válvula mitral No prolapso da válvula mitral, as valvas desta válvula fazem saliência dentro da aurícula esquerda durante a contracção ventricular e, como consequência, escapam-se (regurgitação) pequenas quantidades de sangue para a aurícula. O prolapso da válvula mitral é mais frequente nas mulheres jovens e tem tendência para ser hereditário. Os sintomas consistem na presença de um sopro cardíaco, na consciência do batimento cardíaco (palpitações) e, por vezes, num ritmo cardíaco irregular (arritmia). A maioria das mulheres que têm este problema não tem complicações durante a gravidez, mas, em geral, são-lhes administrados antibióticos por via endovenosa durante o parto, para evitar uma infecção das válvulas do coração.
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